terça-feira, 30 de novembro de 2010

Agências norte-americanas mostram "imagens artísticas" da Terra

A USGS, a agência geológica dos Estados Unidos, divulgou em seu site uma série de fotografias de satélite que mostram paisagens da Terra selecionadas pelo seu valor artístico.

BBC
Coleção "Earth as Art 3" apresenta 40 fotos da Terra tiradas por satélites de agências geológica e espacial dos EUA
Coleção "Earth as Art 3" apresenta 40 fotos da Terra tiradas por satélites de agências geológica e espacial dos EUA

A coleção "Earth as Art 3" apresenta 40 imagens da USGS e da Nasa (agência espacial norte-americana) feitas pelos satélites Landsat 5 e Landsat 7 a cerca de 724 quilômetros da superfície terrestre.

As imagens de lugares extremos, como desertos e áreas cobertas de gelo em vários continentes, mostram paisagens moldadas pelo clima de cada região e por fenômenos naturais.
A coleção de fotos foi criada com base em sua beleza estética e não em seu valor científico.
"Earth as Art 3" é a terceira série de fotografias divulgada pela USGS com paisagens da Terra.


video

Cientistas dos EUA pedem retomada da produção de plutônio para naves espaciais

O plutônio 238 é necessário para missões que não podem depender apenas de energia solar


O Comitê Consultivo de Astronomia e Astrofísica da Fundação nacional de Ciência dos EUA enviou carta ao governo americano e ao comando da Nasa pedindo atenção para a necessidade de retomada rápida da produção de plutônio 238.
Divulgação/Nasa
Divulgação/Nasa
A Cassini, no sistema de saturno, usa geradores com plutônio
Esse isótopo é usado para gerar energia para sondas espaciais enviadas para além da órbita de Marte, uma região do espaço onde a energia solar não é mais suficiente para manter os equipamentos funcionando.
Os cientistas temem que uma disputa sobre quem deve pagar pela produção - se o Departamento de Energia do governo federal ou a Nasa - atrasem demais o reinício da criação do isótopo. A verba necessária é de US$ 30 milhões.
Na carta, o comitê manifesta "preocupação" com a demora na retomada, que pode, de acordo com os autores, "não só prejudicar a capacidade dos EUA de conduzir missões planetárias ao Sistema Solar exterior, mas também impedir o desenvolvimento e implementação de futuras missões astrofísicas" no espaço profundo, além da órbita terrestre.

Hubble fotografa galáxia à beira de grande vazio cósmico

Estimativas do diâmetro do Vazio Local vão de 30 milhões a mais de 150 milhões de anos-luz

O nascimento de novas estrelas dá à galáxia NGC 6503 um brilho rosado, nesta imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble. Essa galáxia, uma versão reduzida da Via-Láctea, está à beira de um grande vazio espacial, onde existem poucas galáxias.
HST/Nasa-ESA
HST/Nasa-ESA
NGC 6503, com jovens estrelas em seus braços espirais
A nova imagem dá especial destaque às zonas rosadas, que marcam onde estrelas surgiram recentemente nos braços espirais da galáxia.
Embora tenha uma estrutura semelhante à da Via-Láctea, o disco de NGC 6503 tem diâmetro de apenas 30.000 anos-luz, ou cerca de 30% da envergadura de nossa galáxia.
NGC 6503 fica a aproximadamente 17 milhões de anos-luz, na constelação do Dragão. Ela foi descoberta em 1864 pelo astrônomo alemão Arthur Auwers.
A galáxia fica na beira de uma região deserta do espaço, chamada o Vazio Local. Os aglomerados de galáxias de Hércules, Coma e o Grupo Local de galáxias circunscrevem essa região vasta e muito pouco povoada. Estimativas do diâmetro do Vazio vão de 30 milhões a mais de 150 milhões de anos-luz.

Astrônomos visualizam filamentos que ligam ilhas de galáxias

Astrônomos avistaram uma galáxia incomum que fornece detalhes sobre um banco de areia celestial que conecta duas grandes ilhas de galáxias.
Captada pelo telescópio espacial Spitzer, a imagem mostra o banco de areia --ou filamentos-- que cobrem longas distâncias entre aglomerados de galáxia e formam uma espécie de teia cósmica.
Apesar de ser imensos, os filamentos são difíceis de ver e de serem estudados em detalhes.
Dois anos atrás, o Spitzer revelou que esses filamentos, contendo estrelas em processo de formação, ligava os conglomerados de galáxias chamadas de Abell 1763 e Abell 1770


Ilustração mostra filamento que conecta duas ilhas de galáxias; os pequenos pontos são outras galáxias
Ilustração mostra filamento que conecta duas ilhas de galáxias; os pequenos pontos são outras galáxias


A imagem vista pelos astrônomos reforçam essa descoberta e mostra uma galáxia que emite luz e possui um formato atípico de bumerangue. Essa galáxia curva foi identificada pelos astrônomos como a cerca de 11 milhões de anos-luz do centro de Abell 1763.
Gás quente está atingindo a galáxia errante, o que faz com que tenha a forma atual à medida que cruza o filamento, oferecendo um novo modo de medição da densidade dessa parte da teia cósmica.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Hubble fotografa 'caldeirão' cósmico

Hubble fotografa ´caldeirão´ cósmico
Em sua mais recente imagem divulgada, o Telescópio Espacial Hubble fotografou uma região considerada pela NASA “caldeirão” de poção cósmica.

Essa colorida região formadora de estrelas, a NGC 2467, é uma gigantesca nuvem de gás, a sua maioria hidrogênio, e poeira.
Essa combinação de materiais é o ambiente perfeito para ela se tornar uma incubadora para novas estrelas. Esses jovens e quentes sóis emitem uma forte radiação utravioleta que faz todo o conjunto brilhar; essas emissões também acabam “esculpindo” o ambiente, pois afastam o gás e a poeira gradualmente, como se causando uma erosão a nuvem.

A maior parte da radiação, no entanto, vem de uma única grande estrela na parte superior da imagem. Sua radiação “limpou” os arredores do gás, fazendo com que a próxima geração de estrelas se forme em regiões mais densas nas bordas da nuvem.

A NGC 2467 foi descoberta no século 19, na constelação de Puppis, a 13 mil anos-luz de distância da Terra.

Nasa investiga misteriosas pedras que andam

Nasa investiga misteriosas pedras que andam

Como rochas de até 300 quilos podem se mover sozinhas em uma planície?

Para a Nasa, a Agência Espacial Americana, os misteriosos rastros observados em lagos secos na Califórnia e em Nevada podem ser explicados de forma simples: as pedras andam porque deslizam no gelo.
Antes de entrar em explicações técnicas de como o gelo foi parar em um solo de argila seca no meio do deserto, vale explicar a história dessas famosas rochas andarilhas. O local mais famoso em que elas são observadas é conhecido como Racetrack Playa, no Vale da Morte, Califórnia. Mas desde a década de 1940 pesquisadores detectaram o mesmo fenômeno em diversas formações semelhantes.

Trata-se de trilhas formadas pelo movimento das pedras, caminhos por vezes tão perfeitamente paralelos, que fazem curvas tão regulares, que parecem pertencer a um carro. Acredita-se que algumas rochas podem ter se movido tão rápido quanto uma pessoa andando, mas existe um problema: ninguém nunca as viu se mover.

As explicações óbvias foram logo descartadas para explicar o fenômeno: não houve ajuda de animais, gravidade ou terremotos. Para investigar melhor, a Nasa enviou uma equipe de 17 pessoas do Centro de Vôos Espaciais Goddard até a Racetrack Playa. Permanecendo seca a maior parte do tempo, essa grande planície possui 7,2 km de comprimento.

Para cada rocha e trilha encontradas, foram registradas coordenadas de GPS e tiradas fotos.


Os pesquisadores, muitos deles alunos, também desenterraram sensores colocados anteriormente para capturar dados de umidade e temperatura. Além de confirmar que algumas grandes rochas se moveram mais do que as pequenas, a equipe ainda descartou outras possibilidades: não havia campos magnéticos incomuns ou que sofressem variações, muito menos radiação ou qualquer inclinação relevante que explicasse o fenômeno. Análise das pedras também revelou que elas não possuem nenhuma composição ou propriedade excepcional – a não ser o fato de estarem localizadas muito longe das montanhas de onde caíram.
Algumas das rochas que se moveram pesam menos do meio quilo, mas a maioria pesa entre 11 e 13 quilos. A maior delas, chamada Karen, tem 317 quilos. A única explicação possível, a única força poderosa capaz de movê-la seria o vento – mas, ainda assim, os 240 km/h medidos não são suficientes para causar tamanho deslocamento.

Os cientistas então começaram a se perguntar se haveria alguma forma de reduzir a fricção entre as rochas e o chão argiloso, de modo que o vento pudesse empurrá-las.  Uma das principais hipóteses era a de que a umidade transformaria a argila em uma fina lama, fazendo com que algas possivelmente dormentes formassem um limo no qual a pedra deslizaria. Apesar de ter sido provado que a umidade seria mesmo capaz disso, essa explicação das algas não seria suficiente para movimentar todas as pedras observadas.


Foi então que surgiu outra hipótese: o gelo. A neve que desce das montanhas se acumula em poças e congela durante a noite. Há décadas acreditava-se que o gelo poderia envolver grupos de rochas, que seriam então arrastadas pelo vento. Novamente, experimentos mostraram que esta explicação não era válida para todos os casos.
De volta aos modelos, os cientistas concluíram que um anel de gelo pode se formar na parte de baixo das pedras, provavelmente porque sua massa retém o frio. Quando mais água chega na pedra, essa camada de gelo ajuda o objeto a flutuar parcialmente, de forma que até mesmo uma rocha pesada consegue se mover com o vento. Isso também explica porque algumas das trilhas começam finas e vão ficando mais espessas: a rocha gradualmente afunda na argila úmida conforme o gelo vai derretendo.

As análises de temperatura provaram que seria mesmo possível a formação de gelo – o que levanta uma última hipótese a ser testada. Durante os estudos, o grupo da Nasa especulou se as rochas se movem por um processo de “regelo”, causado por uma diferença de pressão dos dois lados de um objeto. A água de um lado permanece líquida e escorre para o outro lado, prendendo bolhas de ar aonde o gelo se forma.

E enquanto tenta solucionar de vez o mistério das pedras que caminham, os pesquisadores convidam o públcio a colaborarem postando suas próprias fotos da Racetrack Playa no site do projeto.

Omega Centauri aparece em infravermelho

  Utilizando os instrumentos a bordo da nave Wide-field Infrared Survey Explorer, ou WISE, a NASA capturou o alvo favorito de observação dos astrônomos amadores: a Omega Centauri.

Também conhecida como NGC 5139, este aglomerado de estrelas está na constelação Centauro e pode ser visto a olho nu pelos observadores em baixas latitudes no hemisfério norte ou moradores do hemisfério sul.
A Omega Centauri contém cerca de 10 milhões de estrelas e está a cerca de 16 mil anos-luz da Terra.

O astrônomo Ptolomeu achava que o aglomerado era uma única estrela, e Edmond Halley o identificou como uma nebulosa em 1677. Na década de 1830, John Herschel o classificou como um “cluster globular de estrelas”, orbitando a Via Láctea. Essas estruturas são um grupo esférico de estrelas ligadas pela gravidade.

A Omega Centauri sempre foi considerada a ovelha-negra dos clusters globulares, já que possui muitas características diferentes desses corpos celestes típicos. Por exemplo, ela é dez vezes mais massiva do que a média e também possui estrelas de diferentes idades – enquanto a maioria dos cluesters deste tipo contém estrelas de apenas uma geração.

Pesquisas recentes com o telescópio Espacial Hubble e o Observatório Gemini indicam que existe um buraco negro em seu centro. Essa descoberta sugere que a Omega Centauri pode ser, afinal, uma galáxia-anã que perdeu suas estrelas exteriores.

Este mosaico foi criado com os quatro detectores a bordo do WISE: azul e ciano representam a luz emitida a comprimentos de onda entre 3,4 e 4,6 microns. O halo verde que circunda o centro representa a luz a 12 microns, emitida pela poeira quente.

Omega Centauri aparece em infravermelho

Descoberto novo sistema solar

SÃO PAULO – Astrônomos encontram pelo menos cinco planetas orbitando ao redor da HD 10180, uma estrela bastante similar ao nosso Sol localizada a 127 anos-luz na constelação de Hidra.

Há também fortes evidências de que existam mais dois planetas em órbita, o que faria desse um sistema bastante parecido com o nosso em termos de números de planetas (sete, comparados aos oito do Sistema Solar).
Caso os sete planetas sejam confirmados, este seria o sistema mais “populoso” já encontrado.

A descoberta foi feita por uma equipe do European Southern Observatory (ESO), que utilizou o  HARPS, um espectrógrafo conhecido por ser o mais bem-sucedido caçador de exoplanetas (todo planeta localizado fora do sistema solar recebe esse nome). Ele está ligado ao telescópio de 3,6 metros La Silla, no Chile.

Foram 190 medições individuais que detectaram as interações gravitacionais entre a estrela e pelo menos cinco planetas. Esses cinco sinais mais fortes correspondem a planetas com a massa similar a Netuno (entre 13 e 25 Terras) e que orbitam a estrela em períodos entre 6 e 600 dias. A distância deles para a estrela é entre 0,06 e 1,4 vezes a da Terra ao Sol.

Os outros dois planetas ainda não confirmados teriam massas bem distintas. Um seria parecido com Saturno (com no mínimo 65 vezes a massa da Terra) e teria uma órbita de 2.200 dias. O outro seria o exoplaneta de menor massa já descoberto: 1,4 vezes a da Terra. Ele está muito próximo da estrela HD101080, com apenas cerca de 2% da distância do Sol à Terra. Para se ter uma ideia, um ano nesse planeta duraria apenas 1,18 dia terrestre.

Os resultados mostram que esse novo sistema é único por diversos motivos: primeiro, por ter cinco planetas como Netuno orbitando a uma distância equivalente à de Marte para o Sol, ele é mais populoso em seu centro do que o nosso próprio sistema.
Em média, os planetas na região central do sistema HD 10180 têm 20 vezes a massa da Terra, enquanto os planetas correspondentes ao centro do nosso Sistema Solar (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte), têm em média a massa de 0,5 Terra.
Além disso, o sistema não deve possuir corpos gasosos como Júpiter, e todos os planetas parecem ter órbitas circulares.

Estudando todos esses números os astrônomos acreditam ter encontrado evidências de que a distância dos planetas para seu sol possui um padrão bem regular, parecido com o encontrado no nosso sistema.

Outro resultado importante é que parece haver uma relação entre a massa do planeta e o conteúdo químico da estrela. Até agora, astrônomos conhecem 15 sistemas com pelo menos 3 planetas cada. Os estudos revelam que todos os sistemas de muita massa são achados em volta de estrelas de grande massa e ricas em metais, enquanto os quatro de menor massa estão ao redor de estrelas também de menor massa e pobres em metais (vale lembrar que, na astronomia, metais são todos os elementos que não hidrogênio e hélio).

Os resultados alcançados com o HARPS colocam as pesquisas com exoplanetas em uma nova era: o estudo de sistemas complexos, e não apenas de corpos individuais. Para os astrônomos, essa é uma oportunidade de compreender melhor as complexas interações gravitacionais entre os planetas e descobrir pistas sobre sua evolução a longo prazo.

Além disso, vale lembrar que a busca por outras formas de vida no espaço está diretamente ligada ao estudo de novos sistemas, como o recém descoberto HD101080.
Ilustração mostra o novo sistema descoberto a 127 anos-luz

sábado, 27 de novembro de 2010

Depois de um longo período de dormência, o Sol pode estar acordando.

Na madrugada de domingo (01/08), todo o lado do Sol virado para a Terra experimentou um tumulto de atividades em cadeia, criando uma erupção solar de classe C3 – um autêntico tsunami solar.
O jato de plasma deverá chegar na Terra na manhã desta quarta-feira, dia 04 de Agosto.
Ejeção de massa coronal
O fenômeno gerou múltiplos filamentos magnéticos, que se elevaram da superfície estelar, uma agitação em grande escala da corona solar, explosões de ondas de rádio e uma ejeção de massa coronal.
Esta erupção solar em larga escala – catalogada pelos cientistas como Mancha Solar 1092 – ejetou toneladas de plasma (átomos ionizados) para o espaço interplanetário.
E esse plasma está dirigido diretamente no rumo da Terra, onde deverá chegar criando um show espetacular de luzes na forma de auroras boreais e austrais.
Infelizmente não é só isso. Os efeitos poderão ser sentidos também pelos sistemas de comunicação, principalmente via satélite, e até mesmo pelas redes de distribuição de energia.
Tsunami solar
Observar o Sol entrar em erupção numa escala global entusiasmou a comunidade internacional de físicos, que agora dispõem também do observatório solar SDO (Solar Dynamics Observatory), da NASA.
Os cientistas acreditam ter dados suficientes para tentar decifrar a complexa sequência de eventos, detectando sobretudo os eventos primários que deram origem à tsunami solar.
A mancha solar foi tão grande que pôde ser vista sem o auxílio de um telescópio solar. Oleg Toumilovitch, na África do Sul, fotografou o evento com uma câmera digital comum.

Quando uma erupção desse tipo, chamada de ejecção de massa coronal, chega à Terra, ela interage com o campo magnético do nosso planeta, potencialmente criando uma tempestade geomagnética.
As partículas solares guiam-se pelas linhas desse campo, dirigindo-se para os pólos da Terra, onde colidem com átomos de nitrogênio e oxigênio na atmosfera, que em seguida brilham na forma de luzes dançantes, as auroras.
As auroras são visíveis normalmente apenas em altas latitudes, embora, durante uma tempestade geomagnética, as auroras possam também iluminar o céu nas latitudes mais baixas.
Ciclos do Sol
O Sol tem um ciclo regular de atividade que dura em média cerca de 11 anos.
O último máximo solar ocorreu em 2001, o que tornou seu mínimo mais recente particularmente duradouro e com atividade abaixo da média mesmo para esses mínimos.
Esta erupção em larga escala é um dos primeiros sinais de que o Sol pode estar acordando e caminhando para um outro máximo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ultimas noticias da astronomia no Brasil e no mundo.

LHC cria mini Big Bangs e não destrói a Terra.


Simulação do resultado de uma colisão de íons de chumbo. O experimento ALICE está registrando as colisões reais, provavelmente muito parecidas com esta.

O mundo não acabou, de novo

Eram 21h30 deste domingo, dia 07 de Novembro, e tudo aconteceu rápido demais. Tão rápido que não havia nem um só catastrofista de plantão.
Primeiro, os cientistas arrancaram os elétrons de átomos de chumbo, transformando-os em íons. A seguir, aceleraram esses íons a velocidades altíssimas, e os fizeram colidir uns contra os outros.
O resultado foi que o homem finalmente conseguiu criar mini Big Bangs, reproduções em escala reduzida daquilo que deve ter acontecido quando nosso Universo foi criado.
Mas, ao contrário do que alguns poucos esperavam, o mundo não acabou.
Buracos negros do LHC
Tudo aconteceu dentro do LHC, que já foi chamado de Máquina do Fim do Mundo e de Máquina do Começo do Mundo.
Alguns físicos ganharam notoriedade passageira ao apregoarem que tais choques de partículas poderiam criar buracos negros que destruiriam a Terra.
Com tamanha controvérsia, talvez o grande destaque do feito inédito do LHC, ao menos nesse primeiro momento, devesse então ir para o que não aconteceu: os "buracos negros do LHC" não destruíram a Terra.
Mas será que alguém esperava mesmo por isso - além dos proponentes da ideia, é claro?
Na verdade, os físicos gostariam muito que essas colisões pudessem criar buracos negros microscópicos. Embora isso seja improvável - e esses micro buracos negros seriam pequenos demais para fazer qualquer estrago - seria uma descoberta muito interessante - veja Colisão de partículas pode de fato criar buracos negros.

Mini Big Bangs

O fato mais importante, contudo, é que as colisões de chumbo estão se dando como esperado e os detectores estão registrando os dados.
Os cientistas levarão meses para analisar todos esses dados - e só então será possível conhecer a que conclusões eles levam - mas há motivos para muito entusiasmo.
Ao serem acelerados ao longo dos 27 quilômetros do anel do LHC, os íons de chumbo alcançaram uma energia de 287 TeV (tera-elétron-Volts). Isto é muito mais alto do que a energia alcançada quando o LHC estava colidindo prótons porque os íons de chumbo contêm 82 prótons cada um.
Isto permitirá que os cientistas estudem o que existia quando o Universo tinha apenas alguns milionésimos de segundo de idade - veja LHC vai começar a estudar o Big Bang.
"Este processo ocorre em um ambiente seguro e controlado, gerando bolas de fogo incrivelmente quentes e densas, com temperaturas de mais de 10 trilhões de graus, um milhão de vezes mais quentes do que o centro do Sol," explica o Dr. David Evans, participante do experimento ALICE, especialmente projetado para estudar os mini Big Bangs.
O choque dos íons cria um estado da matéria chamado de plasma de quark-glúon, alcançando temperaturas de 10 trilhões de graus Celsius, quando os núcleos de chumbo derretem e esfacelam-se em seus elementos constituintes.
"Os físicos esperam aprender mais sobre a Força Forte, uma das quatro forças fundamentais da natureza. A Força Forte não apenas mantém coeso o núcleo dos átomos, mas é também responsável por 98% de sua massa," diz Evans.
Esse é, na verdade, um dos grandes problemas da física atual que a comunidade científica espera que o LHC ajude a resolver: de onde vem essa massa - veja mais em Em busca da "Partícula de Deus".
Para os que ficaram decepcionados com ao perder a oportunidade de encarar um buraco negro frente a frente, outros cientistas já propuseram uma receita para criar buracos negros em laboratório.
Detlef Kuchler, físico do CERN, mostra um pedaço da fonte de chumbo usada para criar os íons pesados que se chocam dentro do LHC.


Telescópio capta imagens inéditas de explosões solares.



Cientistas do Brasil e da Argentina, com apoio da FAPESP, obtêm primeiras imagens do Sol feitas com equipamentos que mostram atividade solar com grau de detalhamento sem precedentes.

Observação do Sol
Um grupo de cientistas do Brasil e da Argentina acaba de anunciar a obtenção das primeiras imagens do Sol adquiridas com telescópio e filtro H-Alfa - um instrumento capaz de mostrar as regiões ativas da atmosfera solar com grau de detalhamento sem precedentes quando operado no mesmo local com dois outros telescópios solares no infravermelho e em ondas submilimétricas.
As primeiras imagens foram obtidas no dia 20 de outubro, no observatório do Complexo Astronômico El Leoncito (Casleo), localizado em San Juan, na Argentina. A iniciativa faz parte de um convênio que envolve, há dez anos, cientistas do Casleo e do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Craam), da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
De acordo com Pierre Kaufmann, professor do Craam, o projeto combina uma série de métodos e equipamentos de última geração a fim de observar o Sol com grau de detalhamento inédito. O objetivo é compreender a física por trás de fenômenos como manchas e explosões solares.
"Conseguimos descrever bem processos como as explosões solares, mas a física que dá origem a eles ainda é um mistério. Se pudermos conhecê-la, isso permitirá fazer previsões sobre esses fenômenos, que têm grandes impactos no nosso planeta, provocando desde alterações no clima até interferências em satélites da constelação GPS", disse ele.





As espículas na superfície do Sol foram captadas em alta resolução pela primeira vez com um instrumento chamado IBIS.


Explosões solares

Com a resolução das imagens que poderão ser obtidas a partir de agora, as análises sobre os processos físicos que ocorrem nas explosões solares terão um imenso aumento de precisão de diagnóstico. É a primeira vez que se analisam os dados da estrela com tamanha resolução e com tal diversidade de frequências.
"O novo instrumento H-Alfa permite obtenção de elevadas taxas de repetição de imagens: 30 por segundo. Simultaneamente, estamos trabalhando com imagens obtidas por outro telescópio no infravermelho médio e por radiotelescópio em ondas submilimétricas - todos operando no mesmo local. Temos uma capacidade única para fazer diagnósticos inéditos de explosões solares com uma altíssima resolução temporal", disse Kaufmann.
Atualmente, a comunidade científica está estarrecida com o fraco nível de atividade solar apresentado pelo Sol. "Ainda assim, na primeira semana de observações com o conjunto de instrumentos foi possível observar duas explosões solares e visualizar, no Sol, regiões ativas com manchas e praias brilhantes, além de protuberâncias no limbo solar", contou.
Kaufmann explica que, neste momento, o astro deveria apresentar atividade muito intensa, mas está apresentando um comportamento extremamente anômalo, de forma que as manchas - as regiões solares ativas - estão aparecendo com frequência e importância muito menores que nos ciclos anteriores.
"O Sol tem ciclos de atividade de 11 anos e a previsão era de que o máximo da atividade solar deveria ocorrer em 2013. Já devíamos ter uma alta atividade, mas estamos bem longe disso. Estamos bastante perplexos com essa demora para a retomada do ciclo de atividade solar", disse.





Uma equipe de cientistas defende que, mantido o atual ritmo de eventos, as manchas solares poderão desaparecer a partir de 2016.


Mini era glacial


O físico solar Cornelis de Jager, da Organização de Pesquisa Espacial de Utrecht (Holanda), publicou recentemente na revista Journal of Cosmology um artigo no qual prevê que os próximos ciclos solares de 11 anos serão excepcionalmente fracos em termos de atividade.
De acordo com o artigo do cientista holandês, esse momento de baixa atividade solar pode ser análogo à chamada "mini era glacial", um período de cerca de 100 anos que se concentrou no século 17, o chamado Mínimo de Maunder.
"Não sabemos, ainda, detalhes sobre a física das explosões solares. Mas é certo que esses fenômenos têm forte impacto no clima terrestre", disse Kaufmann.
O professor do Craam explica que as manchas solares confinam grande quantidade de material ionizado - ou plasmas - extremamente quente, onde subitamente ocorrem as explosões solares.
"Essas explosões liberam imensas quantidades de energia, interagindo com o espaço interplanetário e com a Terra. Se estivermos de fato diante da iminência de uma nova 'mini era glacial', esse período potencialmente poderá levar a um esfriamento do planeta", destacou.
Embora os mecanismos físicos das explosões solares continuem inteiramente desconhecidos, existem evidências de que sua origem está relacionada à aceleração de partículas - em particular elétrons - a velocidades extremamente elevadas, muito superiores às que se imaginava anteriormente.



Uma verdadeira tsunami solar disparou um jato de plasma rumo à Terra há algumas semanas, mostrando que o impacto que o Sol tem sobre a Terra pode ser um tanto dramático.

Aceleradores de partículas naturais

Junto às manchas solares existem poderosos aceleradores de partículas naturais. "A tendência atual é fazer uma analogia entre o processo de aceleração de partículas em grandes aceleradores de laboratório e os que dão origem a explosões solares", disse o professor do Craam.
Kaufmann explica que esses processos podem ser medidos em comprimentos de onda que se situam na faixa do infravermelho distante e próximo, fazendo uso de tecnologias que se situam entre micro-ondas curtas e o espectro visível. "Por isso, nosso grupo tem conseguido resultados inéditos mostrando essas evidências e agora partirá para fazê-lo em nível ainda mais avançado", afirmou.
Em El Leoncito, a equipe de engenheiros do Casleo opera a instrumentação, enquanto a maior parte da análise e interpretação dos dados é feita pelo grupo do Craam. "O observatório se situa em região desértica argentina, a uma altitude de 2,6 mil metros. As condições são muito boas, temos 330 dias por ano de céu aberto", disse.
O projeto principal se estenderá até 2012. Há ainda seis projetos atrelados ao estudo, três dos quais de pós-doutorado. "Após a conclusão, pretendemos iniciar um outro projeto na mesma linha, cujas pesquisas deverão se estender pelo menos até o próximo máximo de atividade solar - se é que ele vai existir", disse o coordenador do Temático.

Astrônomos descobrem bolhas gigantescas na Via Láctea.


Outros astrônomos que estudaram os raios gama não haviam detectado as bolhas em parte por causa de um "nevoeiro" de radiação gama que aparece em todo o céu.

Bolhas galácticas
Usando dados do Telescópio Fermi, uma equipe de astrônomos e astrofísicos identificou uma gigantesca estrutura que abrange mais da metade do céu visível, espalhando-se a partir do eixo central da Via Láctea.
A partir do centro da galáxia, as duas bolhas prolongam-se em direções opostas, cobrindo da constelação de Virgem até a constelação de Grus.
Mas como é que algo tão grande nunca havia sido visto antes?
A chave é o Telescópio Espacial Fermi, da NASA, o mais sensível detector de raios gama já lançado ao espaço. Raios gama são a forma mais energética da luz.
Outros astrônomos que estudaram os raios gama não haviam detectado as bolhas em parte por causa de um "nevoeiro" de radiação gama que aparece em todo o céu.
Essa neblina de alta energia surge quando partículas se movendo perto da velocidade da luz interagem com a luz e com o gás interestelar na Via Láctea.
A equipe do telescópio refina constantemente seus modelos, de forma a descobrir novas fontes de raios gama obscurecidas por esta emissão difusa.
Emissão de raios gama
Usando várias estimativas da neblina de raios gama, Doug Finkbeiner e seus colegas do Centro Harvard-Smithsoniano para Astrofísica, nos Estados Unidos, foram capazes de "soprá-la" das imagens, desvendando as bolhas gigantes.
Agora falta descobrir o que exatamente são as bolhas: "Nós não entendemos completamente nem sua natureza e nem a sua origem," diz Finkbeiner.
A equipe está realizando mais análises para entender melhor como a estrutura pode ter sido formada. As emissões das bolhas são muito mais energéticas do que o nevoeiro de raios gama visto em outras partes da Via Láctea.
As bolhas também parecem ter bordas bem definidas. A forma da estrutura e as emissões sugerem que ela se formou como resultado de uma liberação de energia grande e relativamente rápida - cuja origem continua um mistério.
Uma possibilidade inclui um jato de partículas de um buraco negro supermaciço no centro da galáxia.
Em muitas outras galáxias, os astrônomos já observaram jatos de partículas alimentados pela matéria que cai dentro de um buraco negro central. Embora não haja evidências de que o buraco negro da Via Láctea tenha um jato assim na atualidade, ele pode ter tido no passado.
As bolhas também podem ter-se formado como resultado da ejeção de gás de uma explosão de formação de estrelas, talvez a que produziu muitos aglomerados de estrelas maciças no centro da Via Láctea, vários milhões de anos atrás.
De uma extremidade a outra, as bolhas de raios gama estendem-se por 50.000 anos-luz, metade do diâmetro da Via Láctea.
Átomos pela Paz: uma colisão galáctica em ação.

Átomos pela paz
Astrônomos do Observatório Europeu do Sul (ESO) captaram uma imagem espectacular da famosa galáxia Átomos pela Paz (NGC 7252).
Este amontoado galáctico, que se formou pela colisão de duas galáxias, dá aos astrônomos uma excelente oportunidade de estudar quais são os efeitos da fusão de galáxias na evolução do Universo.
Átomos pela Paz é o curioso nome dado a um par de galáxias em fusão, situado a cerca de 220 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Aquário.
Estas galáxias são também conhecidas por NGC 7252 e Arp 226, e são suficientemente brilhantes para serem vistas como uma mancha desfocada muito tênue com telescópios amadores.
Esta imagem, de grande profundidade, foi obtida pelo instrumento Wide Field Imager, montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, situado no Observatório de La Silla, no Chile.
Colisão de galáxias
Uma colisão de galáxias é um dos processos mais importantes na evolução do Universo. O estudo deste fenômeno pode dar pistas importantes sobre a ascendência das galáxias atuais.
Felizmente, tais colisões são processos que duram centenas de milhões de anos, o que dá tempo suficiente aos astrônomos para estudá-los sem pressa.
Na colisão que originou a Átomos pela Paz, o intricado jogo de interações gravitacionais pode ser visto nas formas das caudas produzidas pelas correntes de estrelas, gás e poeira.
A imagem mostra também as incríveis conchas que se formam quando gás e estrelas são arrancados das galáxias em colisão e enrolados em torno do núcleo conjunto.
Embora muito material seja ejetado para o espaço, há regiões onde o material é comprimido, dando origem a intensa formação estelar. O resultado é a formação de centenas de enxames estelares muito jovens, com cerca de 50 a 500 milhões de anos, os quais se acredita serem os pais dos enxames globulares.
A Átomos pela Paz pode bem ser um retrato do nosso futuro e do destino da Via Láctea. Os astrônomos acreditam que, dentro de cerca de três ou quatro bilhões de anos, a Via Láctea irá colidir com Andrômeda.
Por que Átomos pela Paz?
O curioso nome da galáxia tem uma história interessante.
Em Dezembro de 1953, o presidente dos Estados Unidos, Eisenhower, fez um discurso que foi apelidado de Átomos pela Paz. Esse discurso visava promover a energia nuclear para fins pacíficos - um assunto particularmente quente naquele momento.
O discurso e a conferência onde ele foi feito produziram reflexos na comunidade científica, o que levou a que a NGC 7252 fosse batizada de galáxia Átomos pela Paz.
De certo modo, o nome é estranhamente apropriado: a forma curiosa que observamos é o resultado da fusão de duas galáxias, que se unem para produzir algo completamente novo e magnífico, um pouco como acontece na fusão nuclear.
Além disso, as laçadas gigantes observadas na imagem lembram o diagrama dos elétrons em órbita de um núcleo atômico.
O nome da galáxia Átomos pela Paz foi dado em homenagem a um discurso de um presidente dos Estados Unidos, que defendia o uso da energia nuclear para fins pacíficos.
Astronauta europeu vai cultivar plantas no espaço.

Agricultura espacial
Cultivar plantas no espaço será crucial para os astronautas do futuro. Numa viagem para Marte, ou mais longe ainda, será necessário produzir comida fresca a bordo das naves, que deverão ser parcialmente autossuficientes.

Astronauta europeu vai cultivar plantas no espaço
A estufa é pequena, uma espécie de "estufa pessoal", mas será útil para vários experimentos científicos básicos, dos quais os estudantes europeus poderão participar online.

A montagem de estufas na Lua, em Marte ou em outros corpos planetários também será uma componente importante nas missões de exploração futuras.
As estufas também fornecem oxigênio e podem trazer alguma vida ao ambiente desolado espaço.
Tratar de plantas é uma boa forma de manter recordações da Terra e uma forma agradável de passar o tempo durante a longa e possivelmente aborrecida viagem interplanetária.
Estufa no espaço
É com um olho nesse quadro que o astronauta Paolo Nespoli levará uma pequena estufa para a Estação Espacial Internacional. O outro olho estará voltado para as próximas gerações, que eventualmente serão os personagens daquele futuro que se vislumbra.
A estufa é pequena, uma espécie de "estufa pessoal", mas será útil para vários experimentos científicos básicos, dos quais os estudantes europeus poderão participar online.
O projeto Estufa no Espaço, proposto e concebido pelo departamento de Voos Tripulados da Agência Espacial Europeia (ESA), será uma oportunidade para os estudantes se interessarem um pouco mais pela ciência, tanto pela biologia, quanto pela exploração espacial.
A estufa não é pequena por acaso: enquanto o astronauta cultiva as plantas e observa seu ciclo de vida no espaço, as crianças terão a oportunidade de fazer o mesmo com as suas próprias experiências em terra, usando réplicas da estufa espacial e as mesmas espécies de plantas.
Mentes subdesenvolvidas
A experiência vai começar com o cultivo de uma planta da família das couves, a Arabidopsis thaliana, dentro do Laboratório Columbus, na Estação Espacial Internacional. As crianças começarão a sua própria experiência na terra ao mesmo tempo.
Paolo irá tirar fotos do ciclo de crescimento das plantas e fazer gravações de vídeo dos passos essenciais no cuidado das plantas, publicando tudo no site da missão.
As crianças que participarem poderão comparar a experiência no espaço com a experiência que estiverem fazendo em terra.
Os jovens cientistas no solo, e Paolo em órbita, irão seguir o ciclo de crescimento das suas plantas por cerca de dez semanas. As crianças serão encorajadas a partilhar as suas observações com outros jovens que estiverem participando da mesma experiência, criando uma rede em toda a Europa que irá ligar os "jovens cientistas".
As crianças poderão enviar seus resultados finais e sua observações para a equipe educacional da ESA, que irá montar uma lição final online, que poderá ser baixada por outras escolas e professores.
A experiência será lançada em meados de Fevereiro de 2011 num evento ao vivo que juntará cerca de 750 crianças em quatro locais da Europa.
Quando, em 2006, o primeiro astronauta brasileiro levou experiências científicas simples para a Estação Espacial Internacional, voltadas para entusiasmar os jovens estudantes sobre a ciência, a maior parte da própria comunidade científica brasileira não poupou críticas à iniciativa - eventualmente no pressuposto de que a próxima geração de cientistas crescerá e amadurecerá sem necessitar de qualquer cuidado.

Astronauta europeu vai cultivar plantas no espaço

Esquema da estufa espacial, que será distribuída para os estudantes participantes do experimento.
Sucessor do telescópio Hubble precisa de mais verba para se concretizar

O sucessor do Hubble enfrenta problemas com a sua construção. Programado para entrar em operação daqui a cinco anos, o projeto do telescópio espacial James Webb carece de investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão.
No melhor cenário, ele deve custar o equivalente a US$ 6,5 bilhões --acima dos US$ 5 bilhões iniciais previstos dois anos atrás. O estudo foi feito a pedido da senadora democrata Barbara Mikulski, que é contra o projeto.



Reuters
Telescópio Hubble, em operação desde 1990, será substituído pelo James Webb, que deve ser lançado daqui a cinco anos
Telescópio Hubble, em operação desde 1990, será substituído pelo James Webb, que deve ser lançado daqui a cinco anos

Outra dificuldade da Nasa (agência espacial norte-americana) é o prazo. O James Webb iria para o espaço em junho de 2014, mas devido à falta de verba, a data de lançamento foi postergada para setembro de 2015.
Para cumprir o calendário, seria necessário um adicional anual de US$ 200 milhões nos próximos anos. Chris Scolese, um dos envolvidos no projeto, comentou com jornalistas que será difícil angariar o dinheiro.
O Hubble, que entrou em órbita em 1990, tem sido fundamental nos avanços da astrofísica --o equipamento fotografou galáxias antigas. Já o James Webb será imensamente superior a seu antecessor.
Mapeando o invisível
Usando uma gigantesca lupa cósmica, astrônomos usaram o Telescópio Espacial Hubble para criar um dos mapas mais nítidos e mais detalhados já feitos da matéria escura no Universo.
A matéria escura é uma substância invisível e desconhecida, nunca detectada diretamente, que se acredita compor 22% da massa do Universo, enquanto a matéria comum, das estrelas e planetas, seres humanos inclusive, representa apenas 4%.
Mas se a matéria escura é invisível - é por isto que ele é chamada de escura - como é que os astrônomos fizeram uma imagem dela?
A equipe do Dr. Dan Coe, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, direcionou uma das câmeras do Hubble para o gigantesco aglomerado de galáxias Abell 1689, situado a 2,2 bilhões de anos-luz de distância.
A gravidade do aglomerado é grande demais, não podendo ser explicada pela matéria comum - logo, deve ser gerada pela matéria escura. Essa enorme gravidade age como uma lente de aumento cósmica, dobrando e amplificando a luz de galáxias mais distantes, por trás do aglomerado.
Lente gravitacional
O efeito, chamado de lente gravitacional, produz imagens múltiplas, distorcidas, e grandemente ampliadas dessas galáxias.
Ao estudar as imagens distorcidas, os astrônomos calcularam a quantidade de matéria que seria necessária para gerar a gravidade que provocou tais distorções. Deduzindo a massa das galáxias visíveis, eles obtiveram a quantidade de matéria escura que deve existir lá.
"Outros métodos baseiam-se em fazer uma série de suposições sobre como seria o mapa de massa, e então os astrônomos escolhem aquele que melhor se adapta aos dados. Utilizando nosso método, podemos obter, diretamente a partir dos dados, um mapa de massa," explicou Coe.
Os astrônomos estão planejando agora estudar mais aglomerados de galáxias para confirmar a possível influência da energia escura.
Há muita controvérsia entre os estudiosos sobre a matéria e a energia escuras. Enquanto alguns afirmam que a existência da matéria escura está comprovada, outros lançam dúvidas sobre a existência desse "lado escuro do Universo".

A matéria escura é representada na imagem pelas manchas claras. Mas se a matéria escura é invisível - é por isto que ele é chamada de escura - como é que os astrônomos fizeram uma imagem dela?