sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Terra precisa de mutirão internacional para tirar lixo espacial

O lixo espacial que orbita a Terra --um dos dejetos quase atingiu a ISS (Estação Espacial Internacional)-- representa uma ameaça crescente, salientou um relatório do Conselho Nacional de Pesquisa divulgado na quinta-feira.
A quantidade de equipamentos abandonados, pedaços perdidos de foguetes e outros objetos que flutuam no espaço continuarão colidindo e ameaçando satélites e outras naves espaciais durante missões.
Existe até um plano de fuga para os astronautas que se encontram na ISS caso ocorra uma colisão catastrófica.
Para retirar o material, seria necessário um mutirão internacional de limpeza, cujos custos ficariam elevadíssimos.
De acordo com o conselho, a Nasa (agência espacial americana) precisa lidar melhor com o problema. Os EUA respondem por 30% dos equipamentos inutilizados.
Para se ter uma dimensão do problema, há 22 mil peças com tamanho mínimo de 10 cm flutuando lá fora.
A má notícia é que o lixão deve aumentar já que há mais países participando de lançamentos de sondas e satélites, por exemplo.

Ilustração mostra como a Terra seria vista com o lixo espacial que se encontra em sua órbita
Ilustração mostra como a Terra seria vista com o lixo espacial que se encontra em sua órbita

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Fotógrafo australiano registra rastro de estrelas no céu

O australiano Lincoln Harrison fotografou o rastro que as estrelas deixam no céu durante a rotação da Terra.
Cada imagem precisou de um período de 13 a 15 horas de exposição para ser capturada.
Ele acampou nas margens do lago Eppalock, no Estado de Victoria, no sudoeste da Austrália, para fotografar.
Harrison, 36, diz que frequentemente permanece desde o pôr do sol até o amanhecer em um mesmo lugar para conseguir uma foto.
Cada imagem precisou de 13 a 15 horas de exposição para ser fotografada; veja galeria de fotos

Veja galeria de fotos

Telescópio Hubble permite recriar nascimento de estrelas

Fotos tiradas pelo telescópio espacial Hubble, reunidas por uma equipe de cientistas nos EUA durante longos 14 anos, permitiram criar um filme para entender melhor o nascimento de estrelas, com jatos de gás que são lançados por três estrelas jovens.
Os jatos são criados a partir do acúmulo de gás ao redor das estrelas recém-nascidas e são emitidos a uma velocidade de cerca de 160 km/s.
Ocorrências como essas fornecem dados sobre os estágios finais (duram aproximadamente cem mil anos) do nascimento das estrelas e podem ajudar a entender como o Sol surgiu 4,5 bilhões de anos atrás.
A pesquisa é liderada pelo astrônomo Patrick Hartigan, da Universidade Rice em Houston (Texas, nos EUA).
O Hubble, projeto internacional do qual participam a Nasa e a ESA (Agência Espacial Europeia), foi lançado em 24 de abril 1990 e revolucionou as pesquisas astronômicas, afirma a Nasa.
Entre suas conquistas, captou as primeiras imagens da colisão de dois asteroides e colaborou para estabelecer a idade do Universo em cerca de 13 bilhões de anos.
Imagens tiradas pelo telescópio espacial Hubble mostra jatos de gás expelidos por três estrelas jovens
Imagens tiradas pelo telescópio espacial Hubble mostra jatos de gás expelidos por três estrelas jovens

Astrônomos encontram dupla inédita de superburacos negros

Astrônomos da Nasa (agência espacial norte-americana) localizaram, pela primeira vez, um par de buracos negros que se encontra em uma galáxia espiral semelhante à Via Láctea.
A dupla está bem no centro da galáxia NGC 3393, que fica a aproximadamente 160 milhões de anos-luz da Terra.
Ao que tudo indica, eles são restos de uma fusão de duas galáxias de massa diferente e hoje estão distantes um do outro por 490 anos-luz --pouco em termos espaciais.
Observações anteriores já tinham fornecido indícios de que haveria um superburaco negro na NGC 3393, mas somente agora os pesquisadores confirmaram que, ao invés de um, havia dois.
"Colisões e fusões são um dos principais meios para que galáxias e buracos negros se formem", comentou o coautor do estudo, o italiano Guido Risaliti, do CfA (Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica) e do Instituto Nacional para Astrofísica, na Itália. "Encontrar um par de buracos negros em uma galáxia espiral é uma pista importante para entendermos como ocorrem [esses fenônemos]".
A descoberta foi possível pelo Observatório Chandra de Raios-X que, independentemente da quantidade de gás e poeira que estão ao redor dos superburacos negros, permite maior visualização do espaço.
A pesquisa será tratada na edição on-line da revista "Nature" desta semana.

Astrônomos da Nasa localizaram dois buracos negros no centro da galáxia espiral NGC 3393 (foto)
Astrônomos da Nasa localizaram dois buracos negros no centro da galáxia espiral NGC 3393 (foto)

Sonda fotografa em detalhes superfície de uma das luas de Saturno

A sonda Cassini fotografou em detalhes a superfície totalmente irregular de uma das luas de Saturno --a Hyperion--, que tem 270 km de diâmetro.
Esta é a segunda vez que a Nasa (agência espacial dos EUA) obtém imagens do objeto a uma distância aproximada de 25 mil km. A primeira foi em 2005, quando ocorreu a maior aproximação a apenas 500 km.
Outra leva de fotos deve ser feita na data de 16 de setembro, quando a sonda se aproximará mais uma vez de Hyperion.
Foto de uma das de Saturno, a Hyperion; Nasa fotografou o objeto em detalhes pela segunda vez
Foto de uma das de Saturno, a Hyperion; Nasa fotografou o objeto em detalhes pela segunda vez

Rússia retoma lançamento de foguete de carga

Três dias depois de suspender novos lançamentos de foguetes de carga Proton, a Roscosmos (agência espacial russa) anunciou que vai retomar o programa.
O cancelamento se deu após a operação frustrada de colocar em órbita, no último dia 24, o satélite de telecomunicações Express-AM4.
A comissão de investigação do acidente relata no site da agência que o problema ocorreu em uma parte do bloco de propulsão do foguete.
A nave que não entrou em órbita transportaria combustível, mantimentos e outros suprimentos para a ISS (sigla em inglês de Estação Espacial Internacional), com peso total de três toneladas. Ela pegou fogo na atmosfera logo depois do lançamento.

Astrônomo brasileiro acha estrelas com massa de 80 'sóis'

Um astrônomo brasileiro radicado no Chile e sua equipe da Universidade de La Serena descobriram duas estrelas novas, muito maciças, brilhantes e aparentemente isoladas na Via Láctea.
Essas características fazem desses objetos (batizados de WR20aa e WR20c) astros extremamente raros na galáxia.
Os astrônomos estimam que as estrelas tenham até 2 milhões de anos (jovens, em termos astronômicos).
Além disso, as estrelas podem ter, cada uma, pelo menos 80 vezes a massa do nosso Sol --o que também não é muito comum encontrar.
"A galáxia pode conter vários bilhões de estrelas, mas a maioria tem massa pequena", diz o físico e astrônomo Alexandre Roman Lopes, coordenador do trabalho.
O que os cientistas não esperavam era encontrar essa dupla de estrelas isolada na galáxia. Como esse tipo de estrela vive pouco (alguns milhões de anos), em geral elas não têm tempo de se distanciar de onde se formaram.
Isso resulta em aglomerados de estrelas na galáxia, próximos à sua "fábrica".
Essas "fábricas" funcionam no interior de enormes aglomerados de gás e poeira onde, sob efeito da força gravitacional, acontece a concepção estelar.
Por estarem muito longe do local de origem, a dupla é candidata a "runaway", ou seja, objetos estelares que viajam a uma grande velocidade e se distanciam cada vez mais de onde nasceram.
EXPULSÃO
Os pesquisadores acreditam que a dupla tenha sido ejetada de um superaglomerado de estrelas de altíssima massa chamado Westerlund 2, que fica na direção da constelação de Carina, a cerca de 26 mil anos-luz do Sol.
No centro desse aglomerado, existe um grupo compacto de estrelas muito brilhantes onde são observadas nuvens de gás remanescente do seu processo de formação.
Eles descobriram que uma linha imaginária conectando as duas estrelas "cruza" o aglomerado exatamente na sua parte central. Isso significa que elas devem ter saído de onde está o "berçário" dos objetos de grande massa.
"Estudos de dinâmica estelar preveem que estrelas de massa muito grande não convivem bem entre si. Algumas sempre acabam expulsas pelas companheiras", explica.
O trabalho, que tem apoio do Observatório Las Campanas e do ESO (Observatório Europeu do Sul, na sigla em inglês), estará na "MNRAS" ("Monthly Notices of the Royal Astronomical Society") do mês de setembro.
SUPERMACIÇAS PODEM EXPLICAR ORIGEM DA VIDA
O estudo das estrelas supermaciças, além de contribuir para a compreensão da formação estelar, pode ajudar a explicar a origem da vida. Essas estrelas produzem, no seu interior, oxigênio, carbono e nitrogênio, e no fim da sua evolução, até ferro.
"Os elementos mais complexos necessários à vida são produzidos por estrelas maciças. De certo modo, somos filhos desse tipo de estrela", diz Lopes.