sábado, 25 de julho de 2015

Cientistas britânicos descobrem sistema de estrelas canibais

Estrela-anã branca rouba gás de outra, canibalizando-a.
Sistema binário foi batizado de Gaia14aae.


Impressão artística mostra  (Foto: Marisa Grove/Institute of Astronomy/Universidade de Cambridge)
Impressão artística mostra sistema com estrela canibal batizado de Gaia14aae  (Foto: Marisa Grove/Institute of Astronomy/Universidade de Cambridge)

Uma equipe de astrônomos descobriu um sistema único de duas estrelas onde uma "come" a outra, uma observação cheia de promessas para a compreensão da morte das estrelas - anunciou nesta sexta-feira (17) a Universidade de Cambridge.
"É a primeira vez que nós observamos uma estrela-anã branca super densa roubando o gás de seu binômio ao canibalizá-la", explicou a universidade, que dirige o estudo.
O sistema binário, batizado Gaia14aae, está situado a cerca de 730 anos-luz na constelação de Draco. Observadas pelo satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia, em agosto de 2014, as duas estrelas se tornaram uma só cinco vezes mais brilhante num espaço de 24 horas.
Para os astrônomos, a luminosidade repentina ocorreu devido ao fato de que a anã branca - tão densa que uma colherada de café de sua matéria teria a massa de um elefante - estaria devorando sua companheira, maior do que ela.
Gravidade muito forte
Os efeitos gravitacionais da anã branca muito densa são tão fortes que forçam sua companheira a se aproximarem dela.
Além do lado curioso, o Gaia14aae é um sistema binário de eclipses. O plano de revolução dos dois astros está sensivelmente alinhado com a Terra e as duas estrelas se eclipsam mutuamente quase a cada 50 minutos.
"É muito raro vermos um sistema binário tão bem alinhado", declarou a pesquisadora Heather Campbell, do Instituto de Astronomia de Cambridge. "Assim, podemos pedir este sistema com grande precisão e compreender melhor como ele é feito e como ele evoluiu", garantiu ela.
Os astrônomos ainda não sabem se a estrela-anã vai devorar completamente sua companheira ou se elas vão provocar uma supernova, uma gigantesca explosão marcando a morte de uma estrela.

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/07/cientistas-britanicos-descobrem-sistema-de-estrelas-canibais.html

Por que a ida da sonda a Plutão deixou cientistas de queixo caído

Quem pensava que a missão da New Horizons seria tediosa (e muitos pensavam assim) se enganou.

Imagem mostra superfície de Plutão feita pela New Horizons (Foto: Nasa TV/Divulgação)
Imagem mostra superfície de Plutão feita pela New Horizons (Foto: Nasa TV/Divulgação)

Eu pensava que esta missão poderia terminar como uma das mais chatas do mundo, e que Plutão acabaria sendo como nossa Lua ou Mercúrio, um planeta cheio de crateras em que nada acontece", afirmou à BBC Nigel Henbest, astrônomo britânico da Universidade de Leicester e conhecido divulgador científico.
"Ficamos todos de queixo caído com o que vimos, toda a atividade nesses mundos (Plutão e suas luas), mas ainda não temos ideia do que está realmente ocorrendo ali."
A região em forma de coração é chamada de Região de Tombaugh, em homenagem ao descobridor do planeta anão
Henbest fala com paixão sobre a paisagem de montanhas geladas, sem crateras e com evidências de processos geológicos encontrada no planeta anão nos confins do Sistema Solar.
Sua surpresa é compartilhada pelo restante da comunidade científica que, graças à sonda New Horizons da Nasa (agência espacial americana) que sobrevoou Plutão em 14 de julho, pode, pela primeira vez, conferir imagens em alta resolução do planeta.
A geografia dinâmica e variada revelada pelas imagens muda a perspectiva que tínhamos sobre esse corpo celeste desde seu descobrimento, há 85 anos.
E essas informações também podem trazer respostas sobre como se formam os planetas e, inclusive, sobre as origens de alguns elementos fundamentais da vida.
Altas como os Alpes
Um dos traços que mais surpreendeu os pesquisadores é a topografia acidentada de Plutão.

Imagem feita pela New Horizons mostra Caronte, uma das luas de Plutão (Foto: Nasa TV/Divulgação)
Imagem feita pela New Horizons mostra Caronte, uma das luas de Plutão (Foto: Nasa TV/Divulgação)

As imagens mostram montanhas nos extremos da região que tem forma de coração – batizada informalmente como Região de Tombaugh, em homenagem ao descobridor de Plutão, Clyde Tombaugh – com cerca de 3.300 metros, altitude superior à dos Alpes na Europa ou à das Montanhas Rochosas no oeste dos Estados Unidos.
"E pode ser que existam montanhas mais altas em outra parte", explica John Spencer, um dos pesquisadores da missão.
Segundo Spencer, a capa relativamente fina de metano, monóxido de carbono e nitrogênio congelado que cobre a superfície do planeta anão é forte o suficiente para formar montanhas.
Por isso os cientistas acreditam que elas se formaram com a água congelada do subsolo, já que o gelo se comporta como rocha sob as temperaturas gélidas de Plutão.
Curiosamente, as observações feitas do planeta desde a Terra não haviam detectado sinais de água gelada.
Essa teoria poderá ser corroborada pelas medições feitas por sete equipamentos a bordo da New Horizons, cujos resultados irão chegar ao centro de controle de Maryland (EUA) nos próximos 16 meses. "Podemos estar certos de que existe água em abundância", avalia de antemão Alan Stern, chefe da missão.
Ausência de crateras
Nada de crateras. Essa foi a segunda grande surpresa que a missão trouxe aos cientistas. A sonda New Horizons demorou 9 anos e meio para chegar a Plutão, passando por todo o Sistema Solar
As crateras permitem aos astrônomos determinar a idade de uma superfície: se é muito antiga terá marcas deixadas por impactos de colisões e se for mais nova será mais lisa, já que a formação recente apaga as impressões anteriores.
As novas imagens, apontou Stern, mostram um terreno que parece ter passado por processos vulcânicos ocorridos nos últimos 100 milhões de anos.
Isso implicaria numa idade extremamente jovem para a superfície, se considerarmos que o Sistema Solar tem 4,5 bilhões de anos.
Tal atividade geológica demanda alguma fonte de calor. Isso foi visto antes apenas em luas congeladas, onde tais processos se explicam pelas "marés de calor" causadas por interações gravitacionais com o planeta mais próximo.
"Marés de calor não são imprescindíveis para gerar calor geológico em corpos congelados. Essa foi uma descoberta importante que fizemos nesta semana", afirmou Spencer.
Mais gelo e menos rocha
Plutão se localiza no Cinturão de Kuiper, uma zona periférica do Sistema Solar onde o Sol deixa de influenciar os corpos celestes que o rodeiam. O tamanho de Plutão também não era o que se pensava: demonstrou ter alguns quilômetros a mais de diâmetro, agora definido em 2.370 km, o que equivale a aproximadamente dois terços do tamanho de nossa Lua.
Isso quer dizer que Plutão tem mais gelo e menos rochas abaixo de sua superfície do que se pensava.
A falta de precisão na medição de Plutão desde a Terra ocorre porque, em primeiro lugar, o corpo celeste está muito longe daqui (4,8 bilhões de km). E também porque sua atmosfera cria reflexos capazes de confundir o telescópio terrestre mais avançado.
E existe neve no planeta gelado? Os sensores da New Horizons detectaram que a fina atmosfera de nitrogênio se estende até o espaço, e pesquisadores acreditam que ela possa gerar flocos que atinjam a superfície antes de evaporar na atmosfera.
Caronte
As surpresas não acabam em Plutão. Caronte, sua maior lua, também deixou cientistas perplexos. As imagens mostram penhascos tão profundos como o do Grand Canyon, no oeste dos Estados Unidos.
"Pensava que Caronte poderia ter um terreno antigo coberto de crateras… mas ficamos boquiabertos quando vimos a nova imagem", explicou Cathy Olkin, cientista da missão, citando uma cadeia de desfiladeiros de 800 km.
Até agora os pesquisadores contam apenas com uma parte ínfima dos dados que a sonda já recolheu.
Certamente, ao longo desses 16 meses em que toda a informação será enviada, continuaremos a ser presenteados com surpresas e imagens maravilhosas.

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/07/por-que-ida-da-sonda-plutao-deixou-cientistas-de-queixo-caido.html

Nasa completa 'álbum de fotos' do Sistema Solar com Plutão

Veja fotos dos planetas - e do planeta anão - produzidas por sondas espaciais ao longo das últimas décadas.

9. A imagem mais detalhada de Plutão foi produzida pela sonda New Horizons. As informações detalham de forma inédita o tamanho e as características do planeta anão. Plutão tem cerca de 80km de diâmetro a mais do que se acreditava, ou seja, equivalente a dois terços do tamanho da Lua (Foto: Nasa)
A imagem mais detalhada de Plutão foi produzida pela sonda New Horizons. As informações detalham de forma inédita o tamanho e as características do planeta anão. Plutão tem cerca de 80km de diâmetro a mais do que se acreditava, ou seja, equivalente a dois terços do tamanho da Lua (Foto: Nasa)

Com as recentes fotos que mostram detalhes de Plutão, a agência espacial americana, Nasa, completou um belo álbum de fotos dos planetas do Sistema Solar.
A BBC reuniu algumas das mais impressionantes imagens produzidas a partir das missões espaciais aos planetas vizinhos.
Nem todas as imagens são fotografias, algumas são fotomontagens, outras mosaicos produzidos a partir de diversas imagens.
Desde a icônica foto da Terra sacada em 1969 pela tripulação da Apollo 11 até as últimas imagens do planeta anão, confira o "álbum do Sistema Solar".

Uma imagem retocada de Mercúrio mostra as diferenças químicas, minerais e físicas entre as pedras na superfície:
 
1. Uma imagem retocada de Mercúrio mostra as diferenças químicas, minerais e físicas entre as pedras na superfície (Foto: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington)
 
A superfície de Vênus aparece nesta imagem computadorizada produzida a partir de fotos da sonda Magellan, que orbitou o planeta nos anos 1990, adicionando as cores captadas pelas sondas soviéticas Venera 13 e 14:
 
A superfície de Vênus aparece nesta imagem computadorizada produzida a partir de fotos da sonda Magellan, que orbitou o planeta nos anos 1990, adicionando as cores captadas pelas sondas soviéticas Venera 13 e 14 (Foto: Projeto Magellan/JPL/NASA)
 
A Terra, fotografada pela tripulação da missão Apollo 11, em julho de 1969:
 
A Terra, fotografada pela tripulação da missão Apollo 11, em julho de 1969 (Foto: Nasa/AP)
 
O Valles Marineris, apelidado de Grand Canyon de Marte, na imagem produzida a partir de um mosaico de fotos tiradas pela sonda Viking:
 
4. O Valles Marineris, apelidado de Grand Canyon de Marte, na imagem produzida a partir de um mosaico de fotos tiradas pela sonda Viking (Foto: Nasa)
 
Júpiter, o maior dos planetas do Sistema Solar, em foto tirada pela Câmera de Campo Amplo Três do telescópio Hubble:
 
5. Júpiter, o maior dos planetas do Sistema Solar, em foto tirada pela Câmera de Campo Amplo Três do telescópio Hubble (Foto: NASA, ESA, and A. Simon)
 
Esta fotomontagem recria uma panorâmica de Saturno e seus anéis a partir de fotos tiradas pela espaçonave Cassini em maio de 2004:
 
6. Esta fotomontagem recria uma panorâmica de Saturno e seus anéis a partir de fotos tiradas pela espaçonave Cassini em maio de 2004 (Foto: NASA/ESA/AP)
 
A espaçonave Voyager 2 passou ao largo de Urano, o sétimo planeta que orbita o Sol, em janeiro de 1986:
 
A espaçonave Voyager 2 passou ao largo de Urano, o sétimo planeta que orbita o Sol, em janeiro de 1986 (Foto: Nasa/JPL)
 
Netuno, visto pela câmera da Voyager 2. A foto foi tirada a uma distância de 7,1 milhões de quilômetros e mostra a Grande Mancha Escura e ao seu lado um ponto brilhante:
 
Netuno, visto pela câmera da Voyager 2. A foto foi tirada a uma distância de 7,1 milhões de quilômetros e mostra a Grande Mancha Escura e ao seu lado um ponto brilhante (Foto: Nasa/JPL)
 

Meme que mostra Plutão 'tristinho' faz sucesso na internet

Imagens ilustram solidão de Plutão diante da passagem rápida de sonda.
A New Horizons passou a 12,5 mil km de Plutão nesta terça-feira.


Uma animação que representa a decepção de Plutão diante da passagem rápida da sonda New Horizons está fazendo sucesso na internet. Postado nesta terça-feira (14) - dia em que ocorreu a aproximação máxima entre a sonda espacial e o planeta anão - o gif já teve mais de 3,3 milhões de vizualizações no site de compartilhamento de imagens Imgur.
O usuário BennuBird brincou com o fato de que, depois de uma viagem de 9 anos até chegar a Plutão, a passagem da sonda New Horizons pelo planeta anão foi rápida.
A postagem gerou mais de 300 comentários de usuários, que fizeram brincadeiras sobre o amor "plutônico" entre Plutão e a sonda. "Sinto muito, Plutão, mas você não tem gravidade suficiente para me segurar", escreveu um dos internautas. "Plutão é puro coração", escreveu outro usuário, referindo-se à área em formato de coração revelada em sua superfície em imagens feitas pela New Horizons.
Nesta quarta-feira (15), a Nasa revelou as primeiras imagens em alta resolução do planeta anão feita pela sonda. Elas revelaram montanhas na superfície de Plutão. Os cientistas revelaram ainda que o "coração" visto na superfície do planeta anão agora tem um nome.
A área foi batizada de Tombaugh Regio, em homenagem a Clyde Tombaugh, astrônomo que descobriu Plutão em 1930. A New Horizons viaja pelo espaço carregando as cinzas de Tombaugh, além de outros itens, como duas bandeiras americanas.
Meme que mostra Plutão 'triste' diante da passagem rápida da sonda New Horizons faz sucesso na internet (Foto: Reprodução/BennuBird/Imgur)
Meme que mostra Plutão 'triste' diante da passagem
rápida da sonda New Horizons faz sucesso na
internet (Foto: Reprodução/BennuBird/Imgur)

Trajetória
A sonda foi lançada em 2006, dos Estados Unidos, a bordo do foguete Atlas. Ela viajou até Júpiter e usou a gravidade desse planeta como um estilingue para acelerar sua velocidade.
Desde então, a sonda ficou adormecida e viajou pelo espaço até ser reativada, em dezembro do ano passado.
Sete instrumentos que estão a bordo da sonda estão captando imagens, que estão sendo transmitidas para a Terra. O tempo de transmissão dos dados de Plutão até a Nasa, nos Estados Unidos, é de quatro horas e meia.
Nesta segunda-feira (13), os cientistas divulgaram que o planeta anão é maior do que se previa. Plutão, antes considerado o nono e mais distante planeta do Sistema Solar, tem um diâmetro de cerca de 2.370 quilômetros, quase 80 quilômetros a mais do que previsões anteriores.
Agora ele é oficialmente maior do que Eris, um dos centenas de milhares de miniplanetas e objetos parecidos com cometas que circulam o Cinturão de Kuiper.
Segundo a agência Reuters, ser um pouco maior significa que Plutão consiste significativamente de mais gelo e um pouco menos de água do que o previsto, um detalhe importante para cientistas determinarem a história de como ele e o resto do Sistema Solar foram formados.

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/07/meme-que-mostra-plutao-tristinho-faz-sucesso-na-internet.html

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Cientista que 'matou' Plutão diz não se arrepender

Mike Brown diz não se incomodar em ser chamado de "assassino de Plutão" desde que isso contribua para a compreensão do Sistema Solar.

O professor Mike Brown diz não se incomodar em ser chamado de "assassino de Plutão" se isso contribui para a compreensão do Sistema Solar (Foto: SPL)
O professor Mike Brown diz não se incomodar em ser chamado de "assassino de Plutão" se isso contribui para a compreensão do Sistema Solar (Foto: SPL)


As imagens e descobertas da sonda da Nasa New Horizons vêm reforçando os apelos para que Plutão volte a integrar o clube de planetas – do qual foi expulso sem cerimônias em 2006.
No entanto, o professor Mike Brown, da universidade Caltech (Califórnia), conhecido como "o homem que matou Plutão", disse à BBC que os que pedem que o planeta volte ao clube parem de viver no passado.
Leia também: Imagens revelam montanhas de gelo em Plutão
"As pessoas que a gente mais ouve pedindo a reinstalação do planeta são aquelas envolvidas na missão (New Horizons). Entendo que seja emocionalmente difícil para eles", disse.
"Eles querem que Plutão seja um planeta porque querem voar para lá. Mas seria bem melhor se aceitassem a realidade de que ele não é um planeta e ficassem empolgados com o fato de que estão indo para um novo tipo de objeto no Sistema Solar."
Golpe de misericórdia
Os pedidos para que Plutão fosse rebaixado começaram após outro objeto no Cinturão de Kuiper ter sido descoberto em 1992. Alguns argumentavam que Plutão era simplesmente o primeiro corpo celeste encontrado nesta pouco explorada área do Sistema Solar.

Imagem mostra superfície de Plutão feita pela New Horizons (Foto: Nasa TV/Divulgação)
Imagem mostra superfície de Plutão feita pela New Horizons (Foto: Nasa TV/Divulgação)

No entanto, o golpe de misericórdia foi dado pelo professor Brown, com sua descoberta do planeta anão Eris, em janeiro de 2005. Era como Plutão, mas como uma massa maior.
Essa foi uma das descobertas que fez com que a União Astronômica Internacional (UAI) criasse uma comissão para reavaliar a definição de planetas.
Assim, em 2006, a UAI teve que decidir se admitia Eris, e outros pequenos mundos como Ceres, ou se expulsava Plutão. Era preciso escolher um ou outro – manter o status quo não era possível.
Brown argumenta que a se a UAI tivesse decidido manter Plutão como um planeta e admitisse Eris, a organização eventualmente teria de considerar a candidatura de centenas, talvez milhares, de outros aspirantes a planetas.
"Não há outra maneira de categorizar os Sistema Solar além de descrevê-lo como tendo oito objetos dominantes, que são os planetas que conhecemos. Não há nenhuma vantagem em se manter Plutão e em classificá-lo como um dos planetas maiores, porque ele simplesmente não é."
Então como o professor Brown reagiu quando soube que Plutão havia sido rebaixado? Foi um momento de alegria ou ele foi tomado pela culpa?
Ele compara o episódio a um assassinato a sangue frio, um ato de misericórdia que era necessário para o bem da ciência.
"Para mim, estava claro já fazia alguns anos que Plutão estava classificado de maneira errada. Então, fiquei bem feliz com a ideia (da demoção de Plutão) de que agora poderíamos voltar e corrigir esses erros", disse.
Sem arrependimentos
Mas o rebaixamento de Plutão continua polêmico. Muitos cientistas afirmam que ele deve permanecer como planeta, argumentando que ele parece um planeta, se comporta como tal e vem sendo considerado um há três quartos de século.
Isso, no entanto, não muda a opinião do professor Brown.
"Não, nenhum arrependimento. Mas fico triste com os acontecimentos desta década desde a demoção de Plutão. Gostaria que as pessoas tivessem aceitado o novo status de Plutão como uma parte interessante do Cinturão de Kuiper, em vez de ficar discutindo se é um planeta ou não", disse.
Se há alguns anos Mike Brown reagia com certa ironia ao ser cumprimentado como "o homem que matou Plutão", hoje em dia ele parece gostar do apelido. Chegou até a usá-lo seu site e em seu livro "How I killed Pluto and why it had it coming" (Como eu matei Plutão e por que ele mereceu, em tradução livre).
Ele me disse que o título era pra ser uma brincadeira inteligente, mas que ninguém entendeu na época.
"Eu pensei que achariam engraçado falar em matar Plutão, porque ele era o deus do mundo inferior (dos mortos, na mitologia grega), mas ninguém entendeu", disse Brown.
"Era algo forte, para chamar atenção. E isso é importante em termos de educação. Quero que as pessoas entendam o que o Sistema Solar é exatamente. E, se ficar me chamando de "assassino de Plutão" ajudar nisso, aceito o apelido de bom grado."
Mensagens raivosas
O professor conta que ainda recebe mensagens raivosas no Twitter sobre Plutão – na grande maioria, de pessoas que aprenderam na escola que ele era um planeta.
Para o cientista, seria mais interessante estudar um novo tipo de objeto do que um planeta excêntrico nos confins do Sistema Solar
Mas ele conta que as crianças que cresceram sabendo que Plutão não é um planeta aceitam a ideia sem problemas. Por isso, ele acredita que a polêmica vai morrer.
"Acreditava-se que o Sol e a Lua eram planetas também, mas isso foi superado há muito tempo. Acho bem mais interessante termos um novo tipo de objeto para estudar do que um planeta excêntrico no fim do Sistema Solar."
"Espero que depois da New Horizons essa discussão chegue ao fim e que a gente possa começar a falar sobre Plutão e sobre o que aprendemos sobre o restante do Cinturão de Kuiper."

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/07/cientista-que-matou-plutao-diz-nao-ser-arrepender.html

Nasa divulga foto de Plutão feita durante passagem de sonda

New Horizons teve aproximação máxima do planeta anão nesta terça (14).
Fotos de alta resolução foram transmitidas para a Terra nesta quarta-feira.


A Nasa divulgou, nesta quarta-feira (15), as primeiras imagens feitas pela sonda New Horizons durante sua aproximação de Plutão, quando a nave passou a 12,5 mil km da superfície do planeta anão.
As primeiras imagens divulgadas em uma coletiva de imprensa na tarde desta quarta mostram as luas Hidra e Caronte.
Em seguida, a equipe da New Horizons mostrou uma imagem em alta resolução da superfície de Plutão, que revelou a existência de montanhas.
Os cientistas revelaram ainda que o "coração" visto na superfície do planeta anão agora tem um nome. A área foi batizada de Tombaugh Regio, em homenagem a Clyde Tombaugh, astrônomo que descobriu Plutão em 1930. A New Horizons viaja pelo espaço carregando as cinzas de Tombaugh, além de outros itens, como duas bandeiras americanas.
Luas
Pelas imagens, foi possível concluir que Caronte, a maior lua de Plutão, tem uma superfície cheia de penhascos, vales e uma marca apelidada pelos cientistas de "Mordor", no norte da região polar da lua.

Imagem feita pela New Horizons mostra Caronte, uma das luas de Plutão (Foto: Nasa TV/Divulgação)
Imagem feita pela New Horizons mostra Caronte, uma das luas de Plutão (Foto: Nasa TV/Divulgação)

A breve passagem da sonda New Horizons por Plutão ocorreu nesta terça-feira às 8h50 (horário de Brasília). À noite, a sonda se comunicou com a Terra, indicando que o encontro com Plutão tinha sido bem sucedido.
Na manhã desta quarta, durante uma transmissão de dados mais longa, a New Horizons enviou as prinicpais informações obtidadas no encontro, incluindo fotos de altíssima resolução. 

Hidra, uma das luas de Plutão (Foto: Nasa TV/Divulgação)
Hidra, uma das luas de Plutão, em imagem feita pela sonda New Horizons (Foto: Nasa TV/Divulgação)
As melhores imagens que tinham sido divulgadas até o momento mostravam Plutão a 800 mil km de distância. As divulgadas nesta quarta-feira têm uma resolução 10 vezes maior do que isso.

A sonda espacial viajou durante nove anos por quase bilhões de quilômetros (que é a distância entre Plutão e a Terra) até chegar perto do planeta anão.
O feito vai colaborar com a ciência para analisar mais detalhes sobre a superfície e a temperatura de Plutão e de sua região, chamada de Cinturão de Kuiper.
Trajetória A sonda foi lançada em 2006, dos Estados Unidos, a bordo do foguete Atlas. Ela viajou até Júpiter e usou a gravidade desse planeta como um estilingue para acelerar sua velocidade.
Desde então, a sonda ficou adormecida e viajou pelo espaço até ser reativada, em dezembro do ano passado.
Sete instrumentos que estão a bordo da sonda vão captar essas imagens, que serão transmitidas para a Terra. O tempo de transmissão dos dados de Plutão até a Nasa, nos Estados Unidos, é de quatro horas e meia.

Imagem de cima mostra Plutão, em imagem feita pela sonda New Horizons esta semana; imagem de baixo mostra detalhes na superfície do planeta anão feitos durante passagem da New Horizons (Foto: Nasa TV/Divulgação)
A imagem de cima, feita esta semana antes da aproximação máxima entre a New Horizons e Plutão, mostra o planeta anão com uma área em destaque; a imagem de baixo, de alta resolução, mostra a área destacada em detalhes (Foto: Nasa TV/Divulgação)

Maior do que esperado Nesta segunda-feira (13), os cientistas divulgaram que o planeta anão é maior do que se previa. Plutão, antes considerado o nono e mais distante planeta do Sistema Solar, tem um diâmetro de cerca de 2.370 quilômetros, quase 80 quilômetros a mais do que previsões anteriores.
Agora ele é oficialmente maior do que Eris, um dos centenas de milhares de miniplanetas e objetos parecidos com cometas que circulam o Cinturão de Kuiper.
Segundo a agência Reuters, ser um pouco maior significa que Plutão consiste significativamente de mais gelo e um pouco menos de água do que o previsto, um detalhe importante para cientistas determinarem a história de como ele e o resto do Sistema Solar foram formados.

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/07/nasa-divulga-primeiras-imagens-da-passagem-da-new-horizons-por-plutao.html

Brasileiros descobrem novo planeta semelhante a Júpiter

Exoplaneta foi encontrado com a ajuda de telescópio do ESO, no Chile.
Achado abre possibilidade de sistema planetário parecido com o nosso.


Cientistas brasileiros lideram a descoberta de um novo planeta com massa semelhante à de Júpiter e que orbita uma estrela que tem características similares às do Sol.
O achado ocorreu graças ao instrumento Harps do telescópio 3p6 do Observatório Europeu Sul, o ESO, instalado no Chile. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (15).

Segundo um comunicado do ESO, o exoplaneta orbita a estrela HIP 11915, e sua posição nesse sistema é praticamente a mesma de Júpiter, abrindo a possibilidade de que a região em torno dessa estrela seja parecida com o Sistema Solar.
Isso porque o desenvolvimento de vida na Terra foi possível graças à presença de Júpiter e de sua influência gravitacional exercida no Sistema Solar durante a fase de sua formação.
O comunicado afirma que “tal fato leva os cientistas a crer que encontrarmos um planeta gêmeo de Júpiter é um marco importante na busca de um sistema planetário que seja semelhante ao nosso”.
Concepção artística do recentemente descoberto planeta gigante gasoso gêmeo de Júpiter em órbita de uma estrela gêmea do Sol, HIP 11915 (Foto: ESO/M. Kornmesser)
Concepção artística do recentemente descoberto planeta gigante gasoso gêmeo de Júpiter em órbita de uma estrela gêmea do Sol, HIP 11915 (Foto: ESO/M. Kornmesser)

''A procura de uma Terra 2.0 e de um Sistema Solar 2.0 completo é um dos esforços mais excitantes da astronomia"

Jorge Melendez, professor da USP e líder da pesquisa