quarta-feira, 6 de julho de 2011

Com último voo do Atlantis, o ônibus espacial entra para a história

O lançamento do Atlantis, programado para sexta-feira (8), marcará a última missão do programa de 30 anos de ônibus espaciais dos Estados Unidos, que permitiu a construção da ISS (Estação Espacial Internacional).
Este último lançamento do Atlantis para uma missão de 12 dias será o número 135 do programa e estima-se que será presenciado por 1 milhão de pessoas.
O ônibus espacial está programado para decolar do Centro Espacial Kennedy, na Flórida (sudeste), às 11h26 (12h26 de Brasília).
A missão, conhecida STS-135, tem como finalidade transportar a maior quantidade possível de provisões à ISS, cuja utilização foi prolongada no ano passado até 2020.
1985
O Atlantis é o quarto ônibus espacial construído pelos Estados Unidos. Teve seu batismo espacial no dia 3 de outubro de 1985 e, ao regressar à Terra, terá realizado 33 voos --14 deles à ISS, antes de ir para um museu.
No Atlantis viajarão quatro astronautas americanos (contra sete normalmente), todos muito experientes --entre eles, o piloto Chris Ferguseson, 49, e o copiloto Doug Hurley, 44.
Foram necessários 25 voos de ônibus espaciais desde 1998 para terminar o projeto da estação, no qual participaram 16 países, entre eles os Estados Unidos, Rússia, Canadá, Japão e vários países europeus, e que custou 100 bilhões de dólares.
O programa de ônibus espaciais viveu dois episódios trágicos: o acidente do Challenger em 1986 e o do Columbia em 2003, que deixaram 14 mortos no total.
O fim do programa de ônibus espaciais é um autêntico golpe para a economia local. Cerca de 8.000 empregos diretos e 20 mil indiretos desaparecerão, segundo funcionários locais.
"Sabíamos há alguns anos que o programa do ônibus espacial iria terminar; (é) um programa ao qual muitos de seus técnicos e engenheiros consagraram 30 anos de sua vida e com o fim agora próximo o ânimo é cada vez mais sombrio", disse recentemente Mike Leinbach, diretor do lançamento.
FUTURO
Depois que o Atlantis voltar à Terra, o programa de ônibus espaciais dos Estados Unidos terá fim de forma oficial, deixando a Rússia como o único país no mundo capaz de transportar astronautas ao espaço.
Empresas privadas competem para construir a próxima geração de naves espaciais americanas, mas é pouco provável que terminem de construir um veículo deste tipo antes de 2015.
Com a última missão do ônibus espacial, "viramos uma página da história espacial, mas a liderança americana no espaço continuará", afirmou na sexta-feira o chefe da Nasa, Charles Bolden. "Teremos que fazer as coisas de outra forma", acrescentou Bolden, referindo-se às atuais dificuldades orçamentárias dos Estados Unidos.
Assim, Bolden defendeu a anulação do programa Constellation pelo presidente Barack Obama. "Devemos nos concentrar na exploração espacial habitada longínqua desenvolvendo novas tecnologias e incentivando aqueles que inovam (...) a realizar voos sobre a órbita terrestre baixa até a Estação Espacial Internacional."
Segundo ele, "a Estação é o apogeu de nossas realizações tecnológicas atuais e um caminho em direção ao resto do sistema solar".

Ônibus espaciais foram usados por três décadas; veja momentos marcantes

Concebido nos anos 70 como veículo espacial econômico para alcançar a órbita terrestre, o ônibus espacial dos Estados Unidos, que combina as características de um ônibus e de um caminhão, conheceu altos e baixos desde seu primeiro voo, há três décadas.
O voo número 135, do Atlantis, previsto para esta sexta-feira (8), será o último passeio espacial desse tipo de nave. No total, 385 pessoas originárias de 16 países, em sua grande maioria americanas, terão voado a bordo de um ônibus espacial.
Foram construídas seis naves, embora a primeira, Enterprise, não tenha passado de um protótipo. Discovery, Endeavour e Atlantis são as três sobreviventes desta frota.
Veja alguns momentos marcantes do programa da Nasa:
. O ônibus espacial nasceu em 1972, com a decisão do presidente Richard Nixon de lançar o programa. O primeiro voo orbital, o do Columbia, ocorreu no dia 12 de abril de 1981, com apenas dois astronautas a bordo.
. O voo número 25 foi dramático: no dia 28 de janeiro de 1986, a nave Challenger explodiu diante das câmeras de televisão 73 segundos após ter sido lançada. Os sete membros da tripulação morreram, entre eles Christa McAuliffe, 37, que seria a primeira professora a ir ao espaço. O programa de ônibus espacial permaneceu paralisado durante quase três anos e reiniciou suas expedições em setembro de 1988, com o voo do Discovery.
. Um ponto alto da história do ônibus espacial ocorreu em 1990, quando o Discovery implantou o primeiro telescópio espacial, o Hubble, que revolucionou a história da astronomia. O piloto da nave era Charles Bolden, atual diretor da Nasa e primeiro negro a ocupar este cargo. No fim de dezembro de 1993, o Endeavour efetuou a primeira missão de manutenção do telescópio com o objetivo de corrigir um defeito de concavidade que o Hubble apresentava em um espelho. O ônibus espacial efetuaria outras quatro missões de manutenção do telescópio, a última em 2009.
. O voo do Discovery, em fevereiro de 1995, marcou o início de uma estreita colaboração espacial russo-americana. A nave transportou um cosmonauta russo e chegou a se aproximar muito da estação russa MIR, que havia sido voluntariamente desorbitada com a finalidade de ser destruída em 2001. Três meses mais tarde, o Atlantis realizou a primeira de nove missões à MIR, incluindo neste voo quatro russos e um americano.
. A construção da ISS (Estação Espacial Internacional), em 1998, cujo primeiro módulo Zarya (russo) foi colocado em órbita por um foguete russo Protón em novembro desse mesmo ano, concedeu para o ônibus espacial americano sua missão de maior importância.
. Os lançamentos de ônibus espaciais já eram coisa comum, mas em 1º de fevereiro de 2003 ocorreu uma nova tragédia: o Columbia se desintegrou ao entrar na atmosfera e seus sete tripulantes morrem. Não haveria mais voos durante dois anos e meio. Uma comissão de investigação designada para analisar as causas do acidente criticou duramente a Nasa e formulou severas recomendações para melhorar as condições de segurança. Mas em julho de 2005, em seu primeiro voo após a paralisação do programa, o Discovery perdeu um fragmento de grandes dimensões de espuma isolante no momento de lançamento, sem chegar a danificar seu escudo término. Este mesmo problema teria estado na origem do acidente do Columbia. Os ônibus espaciais permaneceriam novamente nos hangares durante um ano.
. Após novas medidas para conferir máxima segurança à tripulação, no dia 4 de julho de 2006 os voos foram retomados, com um renovado Discovery.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Nasa retoma design de 1969 em substituta de ônibus espacial

A Nasa finalmente anunciou o substituto de sua frota de ônibus espaciais, que será "aposentada" no dia 20 de julho, quando o Atlantis retorna à Terra.
O chamado MPCV (do inglês Multi-Purpose Crew Vehicle, ou Veículo Multifuncional Tripulado) é a nave do futuro da agência e a aposta para exploração além da órbita baixa da Terra.
No entanto, seu design é uma releitura da nave Apollo, que levou os primeiros homens à Lua em 1969, remetendo ao passado.
Ao contrário dos ônibus espaciais, que chegavam no máximo até o telescópio Hubble, a 600 km da superfície terrestre, o veículo fará viagens de exploração do espaço profundo, podendo chegar até a Marte, de acordo com Dan Huot, porta-voz da Nasa.
"O design externo é muito semelhante ao do Apollo, uma vez que sua cápsula é a melhor forma de reentrar na atmosfera da Terra em alta velocidade."
O porta-voz explica que o interior aproveita os últimos 40 anos de avanços tecnológicos em aviação, computação, segurança e proteção térmica, e que os procedimentos de subida e reentrada serão dez vezes mais seguros do que nos ônibus espaciais.
Com um volume total de aproximadamente 20 metros cúbicos e área disponível para habitação de 9 metros cúbicos, o MPCV deverá ser lançado das bases atuais da agência e poderá pousar no oceano Pacífico, na costa do Estado da Califórnia.
"É muito maior do que o Apollo, com um diâmetro de cerca de 5 m -em comparação aos 3,65 m da nave que levou o homem à Lua", afirmou Huot.
O MPCV carregará até quatro astronautas em viagens com autonomia de até 21 dias.
De acordo com a Nasa, os testes com o novo veículo já começaram. "Já está em fase de teste há algum tempo e continuará com voos em órbita não tripulados até 2013", informou o porta-voz.
Um dos mais significativos ocorreu em maio, quando as funções do sistema de escape da tripulação durante o lançamento foram examinadas durante um voo real.
Mas os testes com tripulação em órbita não devem acontecer antes de 2016, segundo a agência espacial.
Após essa fase, as missões serão planejadas para 2019 ou 2020, mas ainda não há uma data definida para o MPCV entrar em operação.
A nave vai responder aos anseios do programa espacial dos Estados Unidos, que nesse intervalo de tempo vai depender de "caronas" da nave espacial russa Soyuz para levar e buscar os seus astronautas na ISS (Estação Espacial Internacional).
Mas por pouco tempo, segundo o porta-voz.
"No futuro, nosso principal transporte para a ISS e operações em órbita baixa terrestre será feito por meio de parceiros comerciais, que estão desenvolvendo seus próprios sistemas de lançamento e naves espaciais."

sábado, 2 de julho de 2011

Europeus descobrem o quasar mais antigo do Universo

Astrônomos europeus descobriram o quasar mais antigo visto até o momento a partir das observações realizadas com telescópios --entre eles, o de longo alcance do ESO (sigla em inglês de Observatório Austral Europeu), no Chile.
Segundo os resultados do estudo, trata-se do objeto mais luminoso encontrado até agora no Universo primordial --a fase correspondente à "infância do Cosmos"--, que é alimentado por um buraco negro com 2 bilhões de vezes a massa do Sol.
"Este quasar é uma evidência vital do Universo primordial. É um objeto muito raro que vai nos ajudar a entender como cresceram os buracos negros supermassivos em poucas centenas de milhões de anos depois do Big Bang", disse Stephen Warren, líder da equipe de astrônomos.
A luz do quasar, chamado ULAS J1120+0641, demorou 12,9 bilhões de anos para chegar aos telescópios da Terra. Por esta razão, é visto como era quando o Universo tinha apenas 770 milhões de anos.

Ilustração do quasar que possui, estimam cientistas, buraco negro com 2 bilhões de vezes a massa do Sol
Ilustração do quasar que possui, estimam cientistas, buraco negro com 2 bilhões de vezes a massa do Sol

Anteriormente já se tinha confirmado a existência de objetos ainda mais distantes, mas o quasar recém-descoberto é centenas de vezes mais brilhante que os anteriores.
"Demoramos cinco anos para encontrar este objeto", afirmou Bram Venemans, um dos autores do estudo, em referência ao achado.
"Encontrar este objeto envolveu uma busca minuciosa, mas o esforço valeu a pena para poder desvendar alguns dos mistérios do Universo primitivo", acrescentou.
O brilho dos quasares, dos quais se acredita que sejam de galáxias distantes muito luminosas alimentadas por um buraco negro supermassivo em seu centro, podem ajudar a desvendar a época em que foram formadas as primeiras estrelas e galáxias.

Nasa processa ex-astronauta que tentou vender câmera da Apolo 14

A Nasa (agência espacial americana) processou em Miami (Flórida, EUA) o ex-astronauta Edgar Mitchell por tentar vender uma câmera usada na missão da nave Apolo 14 à Lua, informou nesta quinta-feira uma fonte judicial.
Segundo o processo apresentado em um tribunal daquela cidade, o ex-astronauta tentou recentemente vender o equipamento, de 1971, em um leilão. A câmera foi usada para explorar a superfície do satélite.
A câmera utilizada durante a missão é de propriedade da Nasa. A agência assegura que não consta em nenhum arquivo que ela tenha sido transferida a Mitchell e reivindica a propriedade.
No entanto, Donald Jacobson, o advogado do ex-astronauta, argumenta que a Nasa deu a câmara a Mitchell como presente, após se cumprir os 40 anos da missão.
A Nasa alega que pediu várias ocasiões a Mitchell para devolver a câmera, mas que não recebeu resposta alguma.

Sucessor do Hubble, telescópio James Webb já tem espelhos prontos

Os espelhos do telescópio James Webb, que a Nasa deve lançar ao espaço em 2014 para estudar o universo em frequência infravermelha, já estão prontos para observar as primeiras galáxias, informou a agência espacial americana em comunicado.
Os espelhos são uma parte essencial de um telescópio e a qualidade deles é crucial para o bom uso do objeto. Por isso, a conclusão do processo de elaboração de todos os espelhos que estarão a bordo do telescópio espacial representa um "importante marco", destacou a Nasa.
O telescópio Webb é composto por quatro tipos de espelhos. O principal tem uma área de aproximadamente 25 metros quadrados, e permitirá aos cientistas capturar a luz mais fraca dos objetos distantes no universo mais rápido que qualquer observatório anterior.
Os espelhos são feitos de berílio (elemento químico metálico utilizado para endurecer ligas de metais) e trabalharão juntos para transmitir as imagens do céu às câmeras do telescópio.


Telescópio será substituto do Hubble
Telescópio será substituto do Hubble

O telescópio James Webb, elaborado para ser o telescópio espacial mais moderno do mundo, será o sucessor do Hubble, lançado ao espaço em 1990. O tamanho de seu espelho principal é nove vezes maior que o do Hubble.
Uma vez construído, será o mais potente do mundo, mas ainda terá de esperar. Mais de 75% de seu hardware ainda está em fase de produção ou de testes.
Os cientistas esperam poder observar os objetos mais distantes no universo e ter imagens das primeiras galáxias formadas, assim como estudar os planetas que rodeiam estrelas distantes.
A Nasa, a ESA (Agência Espacial Europeia) e a Agência Espacial Canadense colaboram neste projeto.

Nasa fecha espaço aéreo na Flórida para lançamento da Atlantis

A Nasa anunciou o fechamento temporário do espaço aéreo e restrições na área de Cabo Canaveral (Flórida) devido ao lançamento da nave Atlantis, em 8 de julho.
A atividade da aviação geral e dos aviões de voo visual (VFR) está proibida dentro de um raio de 30 milhas náuticas (55,5 quilômetros) da plataforma de lançamento 39A, de onde decolará a nave em sua última missão, informou a Nasa
A agência espacial recomenda que os pilotos obtenham informações sobre os aeroportos afetados, segundo os boletins Notam (Notice To Airmen) que serão transmitidos pela agência de aviação do governo.
A Nasa alerta que haverá restrições adicionais do espaço aéreo em um raio de entre 30 e 40 milhas náuticas desde a plataforma de lançamento 39A.
Além disso, todas as aeronaves que se aproximarem dessa área deverão ter comunicação contínua por rádio, e a velocidade de aeronaves VFR será limitada a 180 nós.
Além disso, a Nasa comunica o fechamento do acesso por estrada à zona de Playalinda Beach, em Cabo Canaveral, da noite de 4 de julho até o dia seguinte ao lançamento, assim como do Merritt Island National Wildlife Refuge, que será fechado em 6 de julho e reaberto depois do lançamento.
O lançamento da Atlantis também forçará interrupções em outras estradas e pontes, além de restrições à navegação na região.
A Atlantis partirá em 8 de julho para uma missão de 12 dias com quatro tripulantes a bordo para levar peças necessárias à ISS (Estação Espacial Internacional).
A viagem é especialmente significativa porque não será apenas a última da Atlantis, mas a última da era das naves, que serão aposentadas pela Nasa este ano.
Atlantis será lançada na próxima sexta-feira em Cabo Canaveral (Flórida)
Atlantis será lançada na próxima sexta-feira em Cabo Canaveral (Flórida)