quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sonda encontra evidência de reserva de água em lua de Saturno

A sonda Cassini fez uma análise da nuvem que é ejetada no espaço pela Enceladus, uma das luas de Saturno, e encontrou fortes evidências de um reservatório de água que estaria sob sua camada de gelo.
"A Enceladus é uma pequena lua gelada, na extremidade do Sistema Solar, e não havia expectativa de existir água por ser distante do Sol", comentou o cientista da ESA (Agência Espacial Europeia) Nicolas Altobelli, membro da missão.
Em 2005, a Cassini descobriu as primeiras nuvens, mas só recentemente pôde se aproximar o suficiente para colher amostras. Ou, com mais precisão, voar exatamente bem no meio delas.
Amostras coletadas pela sonda Cassini indicam que pode haver reservatório de água salgada em lua de Saturno
Amostras coletadas pela sonda Cassini indicam que pode haver reservatório de água salgada em lua de Saturno

A coleta indicou que os jatos são formados por vapores de água e de pequenos grãos de gelo.
Na área perto da Enceladus, os grãos são maiores e ricos em sal. Por causa do seu peso, eles são ejetados no ar, mas voltam para a lua, caindo outra vez no solo.
Com uma olhada mais atenta, os pesquisadores afirmaram que os grãos lembram muito a composição típica de oceanos.
Ou seja, eles teriam se formado de um líquido salgado que estaria abaixo do nível da camada de gelo.
Segundo o cientista da missão, Frank Postberg, da Universidade de Heidelberg (Alemanha), o autor principal do estudo que será divulgado na revista "Nature", atualmente não há um meio plausível de se produzir grãos ricos em sal a partir de gelo sólido.
Por isso, essa possibilidade de terem se originado na superfície de gelo foi descartada. Quando a água congela, o que sobra é praticamente uma água pura congelada. Se as nuvens emanam do gelo, deveria haver pouco, e não muito, sal. Isso leva os cientistas a crerem que a água salina estaria abaixo da camada de gelo.
O reservatório pode estar a cerca de 80 km de profundidade e estaria depositado entre o núcleo rochoso da lua e seu manto de gelo.
"Essa descoberta é uma crucial evidência de que as condições ambientais favoráveis para a formação da vida podem estar em objetos gelados que orbitam planetas gigantes gasosos", acrescentou o Altobelli.
OUTRA LUA
A Cassini também realizou outro feito neste mês.
No último sábado (18), a sonda fotografou o lado mais escuro de uma das outras luas de Saturno, Helena, a uma distância bem próxima.
A nave ficou a apenas 7 mil quilômetros de distância da superfície de Helena para fazer uma série de imagens que serão posteriormente analisadas.
Foto tirada pela Cassini, que ficou a apenas 7.000 quilômetros da superfície de uma das luas de Saturno, Helena
Foto tirada pela Cassini, que ficou a apenas 7.000 quilômetros da superfície de uma das luas de Saturno, Helena

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